Sexta-feira, 25 de Abril de 2008

 

Estou só... 

quando se sentirem sós, olhos fechados...

Um campo de flores amarelas, todos os cinco sentidos, malmequeres... ouvem-se ondulantes ao sabor do vento, aroma agridoce, ofuscam como o ouro, um suave aveludado ao toque, sabe a mel acabado de colher da colmeia, uma abelha poisa na mão...

Splash... uma onda, duas, três... espuma de um branco alvor, num azul esmeralda cintilante, escuta-se o bater das ondas nos seixos do areal, sente-se o cheiro a maresia, um peixe de escamas prateadas roça no tornozelo, refresca o corpo e a alma com a água pura da natureza, mas de sabor intenso a sal...

Um bosque de árvores centenárias, imponentes, verdes... de repente salta um coelho de uma toca, olha especado com os seus olhos vermelhos no seu pêlo branco âmbar e desaparece tão depressa como apareceu, naquele chão de folhas esquecidas no tempo e nunca antes pisadas que estalam sob as galochas, sabe a noz acabada de partir, cheiro intenso a terra húmida...

Que frio... no pico da serra, neva uma neve tão branca como a nuvem mais branca que alguma vez se viu, cai de mansinho desvanecendo-se numa unica gota na palma da mão, um odor tão subtil no ar que só relembra pureza, sabe a água a que mais podia saber naquela imensidão gelada, ao longe ladra um cão da serra...

Um jardim imenso... um banco dizendo "pintado de fresco", na mistura estonteante de odores florais, gargalhadas felizes de crianças que correm por ali, saboreia-se um gelado de morango, de costas sobre a relva, olha-se o firmamento do céu...

Abram os olhos, respirem o ar que vos rodeia, sintam o calor que emana do vosso corpo, bebam um chá de ervas, escutem uma boa musica, acabaram simplesmente de viajar e eu também...

sinto-me:
música: TEMPO - Pedro Abrunhosa
publicado por folhas_de_outono às 14:03
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Sexta-feira, 5 de Outubro de 2007

RETROSPECTIVA

 

Por vezes penso no que me aconteceu, ao longo da minha vida, que se pode considerar mais ao menos a meio da existência, será que me basta e que me enche as medidas?

As recordações, a primeira e talvez a mais forte foi a minha ida a França, com meus avós maternos, visitar uma tia de quem sou a sobrinha mais velha, Cumieres seduziu-me pelo ar campestre e Paris pela sua grandiosidade, o Arco do Triunfo, a Torre Eiffel, onde me perdi por alguns minutos, com 9 anos, o meu coração acelerou a 200 hora, lembro-me como se fosse hoje.

Na adolescência não me achava a mais feliz nem a mais fabulosa das raparigas ou tão pouco a mais gira; não era gorda, mas também não era loura, usava cabelo curto e roupas que não eram de marca; mas "diziam-me" inteligente.

Nunca tive a coragem de ter muitos namorados, não sei na verdade porque escrevo  "coragem", o primeiro namorado tive quando tinha dezasseis anos, mas naquela época era considerada uma criança, como podia dar certo? Era uma novidade. Mas não me fazendo rogada conheci no ano seguinte o homem da minha vida, com quem estou até hoje.

Dois filhos lindos, mesmo de tirar a respiração, a arte maior que podia conceber na minha vida: a menina de olhos verdes, cabelos compridos, uma "sereia"; o menino todo "muito homem" como faz questão de afirmar, moreno de olhos castanhos, alto e rebelde na sua adolescência.

E agora? Onde me encontro, onde estou, onde me quero... será a vida só isto? Gostaria de ter conhecido outras pessoas que não conheci... aproveitado mais a minha juventude, o meu sorriso, que dizem muito bonito, os meus olhos comparados por alguém, sei lá quem, aos da "Nikita" do videoclip do Elton Jonh, aos anos que isto já foi...

Orgulho-me de ter sido fiel aos meus principios na juventude, agora estou mais "madura" e mais displicente, a minha vida é um rio que me trouxe algumas águas paradas, os contrapontos dela, com lágrimas pelo caminho que embalam na corrente da vida.

Sofri a perda dos meus avós maternos, dos paternos só ouvi falar, já não existiam quando nasci, marcou-me muito esta perda, muitas vezes dava por mim a viajar naquele alinhamento de sepulturas para visitar as recordações boas de infância que com eles tinham partido.

Uma infância de sabor doce com idas há cidade, Lisboa, onde a minha avó gentilmente me levava como neta mais velha, de entre dezassete e mais uns tantos bisnetos, paravamos num qualquer café ou "leitaria" com vitrines encantadoras apinhadas de iguarias; bolos de confecção artesanal extraordinariamente decorados e embelezados, garrafa com leite branco como a neve, um café perfumado e cheiroso que me faz pensar no país africano que me rouba agora, o pai dos meus filhos, onde saboreava um optimo iogurte natural num bonito copo de vidro gravado "VIGOR".

Uma mãe sofrida, a minha, magoada com a vida, que foi cruel ao lhe oferecer um homem que nunca a soube fazer feliz. Consigo compreender a sua revolta, mas não consigo compreender porque não se deixa amar, pelos filhos e pelos netos. Um pai que me entristece, que vive num mundo ilusório, em que se sente perfeito, será culpa da guerra onde foi tropa, Moçambique; mas ao ver as suas antigas fotos, vejo que foi feliz lá, contam colegas de armas que talvez tenha deixado um filho de uma "preta" como eles dizem, uma menina, que seria minha meia irmã. Tentei ao longo de vários anos convencê-lo a contar-me, mas nunca fui bem sucedida, agora é tarde demais, sinto falta de saber esta verdade na minha vida, não sei bem porquê, sempre adorei crianças, apesar de a minha pretensa irmã ser adulta  e na verdade mais velha do que eu ou mesmo não existir.

Das paixões que restam da infância afigura-se o cinema, a leitura que é fundamental ao meu viver, apesar de em certos momentos da minha vida não ler o que verdadeiramente desejava, ouve anos em que só conseguia ler nas míseras férias de oito dias, três ou quatro livros, mas que me enchiam as medidas. Questiono-me quantos livros terei lido ao longo da minha vida, deveria ter feito um registo escrito que me ajudasse a relembrar quantos li e seus nomes, a minha memória não consegue tanto... quero parar de escrever... chega não escrevo mais. Não quero divagar mais, quero simplesmente que fique a vertigem da Torre, o cheiro do café, os olhos de Nikita, o iogurte natural e porque não o meu sorriso...

 

 

sinto-me:
publicado por folhas_de_outono às 04:55
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Quarta-feira, 11 de Julho de 2007

EU...

publicado por folhas_de_outono às 19:58
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Quinta-feira, 7 de Junho de 2007

As flores da vida

Como definir a mágoa que por vezes sinto...

Um aperto no coração, uma dormência,

uma dor que não é dor,

uma paz que não consigo ter,

uma flor que murcha porque ninguém lhe muda a água.

 

Que esta vida não é a minha, tenho quase a certeza,

mas a de outra pessoa qualquer.

Como não estivesse no lugar que me pertence,

noutro, mas por engano.

Não foi esta que desejei, nem  implorei.

Foi na roleta, concerteza , sorte nula não tenho dúvida.

 

Onde ficam os sonhos?

Num "canto" qualquer nos recônditos da alma ou nos Lusíadas do Camões.

Os meus não sei, talvez, num livro ainda por escrever,

mas que nunca será escrito.

 

Saudades da meninice, de ser criança outra vez, não,

saudades de ser feliz, completa, única ...

impossivel , quis demais,

quem quer demais, fica com menos,

mas o menos para mim até chegava, não sou muito exigente,

ou sou? Com a felicidade sou mesmo,

com ela não se brinca.

 

Quero que me perdoem e quero perdoar,

não me perdoam e eu não vou perdoar...

porque as mágoas ficam,

eu digo que perdoei, que já esqueci,

mas ninguém esquece,

simplesmente ficam camufladas como num livro de fadas.

Que me perdoe o amor, dele não quero falar,

noutro dia, noutro momento da minha vida, que não este.

 

Esperar... o quê? Que o barco das tormentas chegue a bom porto,

será pedir muito, eu sei.

Dias difíceis se avizinham, não quero fazer parte deles,

queria partir para longe, bem perto de mim mesma.

Não quero estar nesta vida, mas estou nela,

que sou obrigada a viver e que vivo.

 

Lágrimas de orvalho que não caem mais,

sossega coração, paz na minha alma,

dor mais suportável, dormência adormecida,

e agora, duas flores me restam lindas de morrer...

um cravo e uma rosa.

 

 

sinto-me:
publicado por folhas_de_outono às 10:27
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Sexta-feira, 18 de Maio de 2007

COMEÇAR DE NOVO

 

Dedicam-se seis anos de uma vida ao trabalho, só ao trabalho...

sem descanso, uma semana, um mês, um ano...

sem distinguir os dias da semana, acreditem que pode acontecer...

mesmo quando queremos parar, não sabemos como...

pensamos no assunto, pensamos e pensamos...

a única coisa de que não duvidamos...

fizemos pelas pessoas mais importantes das nossas vidas...

tentamos chegar a todos e a tudo, sem ter falhas...

para não faltar nada, mas por vezes falta tudo...

mas um dia um pormenor, faz a diferença...

primeiro, não se acredita...

teme-se deixar para trás, de repente...

a prisão em que se viveu, anos, dia após dia...

viveu-se este tempo, depressa demais...

lento demais, perdeu-se a fonte da vida...

a alegria de viver, que bem conhecia...

o amor dos que se mais quer...

por quem mais corremos, estagnamos...

e agora...

surge uma nova vida...

como se começasse de novo...

um nascimento tardio, mas com sangue...

como recomeçar, algo que se pensa ter esquecido...

como se faz para voltar atrás, o que se perdeu...

sinto cansaço, desfalecer, não posso...

o receio da novidade, a pressa em sossegar...

muito perto, mas mesmo muito longe...

restam duas pétalas perfumadas, acompanhar...

pede-se paz, de guerras e de espirito...

esperar, esperar, pela mudança...

quero a vida, como era...

mas esta não existe, perdeu-se...

quero uma nova, mas recuperada...

a água da vida, o sabor das coisas...

quero mudar, ser diferente...

voltar a sorrir, a ser feliz...

será pedir muito...

mas eu quero...

 

 

 

 

 

publicado por folhas_de_outono às 23:57
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Quinta-feira, 5 de Abril de 2007

MENINA- MULHER

Parabéns neste dia

 

Rosas para uma Flor Única

 

  

Menina de sonhos e mimada

Ainda ontem menina,                                              

Menina doce e meiga,

Menina de olhitos verdes e brilhantes,

Menina de encantos,

Menina de cabelos loirinhos cintilantes,

Menina de espantos,

Menina de palavras fascinantes,

Menina de peluches e mantos,

Menina de sonhos deslumbrantes,

Menina de poemas, cantos,

Menina de pensamentos fulgurantes,

 

Ainda menina, já mulher,

 

 

Hoje uma mulher,

Mulher de flores, rosas,

Mulher de que quer,

Mulher de coração aberto,

Mulher venha o que vier,

Mulher de longe e de perto,

Mulher, mulher, mulher,

 

 

Mulher de sonhos, de contendas,

Mulher de mistérios, de garras,

Mulher de segredos, de fantasias,

Mulher de arcanos, de utopias,

Mulher de planos, de enigmas,

Mulher de adornos, de magias,

Mulher de vocábulos, de medicinas,

Mulher de cérebros, de letras…

Mulher de amores,

Que alguém escreveu,

Outro ou ela mesma…

Mulher Princesa, Dama, Jóia, Flor, Rosa…

Mulher, minha alma, minha querida,

Mulher, que só podias emanar do amor de outra mulher.

Mulher doce, meiga menina.

 

 

sinto-me:
publicado por folhas_de_outono às 00:01
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Quarta-feira, 4 de Abril de 2007

Perdoa o girassol

 

 Hoje é um dia muito especial, alguém que me é muito querido faz 15 anos.

 

 Um menino, não, um garoto que adoro muito.

 

 Para ti um sorriso,

 Para ti todos os dias nasce e se põe o Sol,

 Para ti um olhar meigo,

 Para ti as ondas do Mar se enrolam na areia,

 Para ti uma palavra doce,

 Para ti o cheiro da Terra húmida,

 Para ti uma amizade verdadeira,

 Para ti a chuva miudinha que envolve docemente,

 Para ti o Céu e o infinito,

 Para ti um Amor romanceado,

 Para ti a Lua nova de vida e esperança,

 Para ti uma canção de amores juvenis,

 Para ti a noite de sonhos inocentes,

 Para ti uma madrugada inesperada,

 Para ti a manhã quente e agridoce,

 Para ti uma adolescência cheia de encantos,

 Para ti novas experiências,

 Para ti um ano de novidades,

 Para ti todas as flores do mundo...

 Perdoa ao girassol, que não tem culpa...

 Perdoa o tudo e o nada,

 Perdoa doce menino... garoto,

 Perdoa... fruto do ventre,

 Para ti o mundo na palma da tua mão,

 Adoro-te... 

sinto-me:
publicado por folhas_de_outono às 18:56
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Terça-feira, 27 de Março de 2007

O INÍCIO

  Folhas de Outono, são sentimentos sobre os quais quero escrever.

  Sentimentos que palpitam no meu coração e pensamentos que me povoam a mente.

  Sentimentos únicos ou vulgares, novos ou velhos, belos ou feios, mas sempre diferentes porque são meus. Vou-me permitir escrever de tudo ou mesmo de nada. Quero aqui sentir a melhor sensação de todas, a liberdade de pensamentos, a plenitude da alma, o divagar...

  Palavras soltas, que me enchem... amor, paixão, alegria, esperança, crianças, flores, bonbons... 

  Palavras em vão, que me magoam... guerra, ódio, tristeza, morte, envelhecer, partir...

  Dilemas de alguém, numa qualquer altura da vida... em que pode ter algo para escrever ou não... eu.

 

sinto-me:
publicado por folhas_de_outono às 16:19
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